[ Descanse em paz Anjinh0 ] Quanta maldade um ser tão in0cente Ter a vid4 tirada de uma forma tão brut4l e...veja mais
15/04/2023

Nasci em Horizontina, no Rio Grande do Sul, e aos 20 anos vim morar em Blumenau, em Santa Catarina. Logo que cheguei conheci o  Robson, pai da  Larissa. Estávamos casados havia oito anos quando decidimos ter um filho. Ela foi muito planejada e muito desejada.

Tive uma gestação muito boa. No quinto mês, um ultrassom morfológico mostrou que minha filha tinha um probleminha no rim. Fomos avisados que, quando ela nascesse, precisaria de alguns cuidados especiais.

Larissa nasceu no dia 26 de janeiro de 2016 por cesárea. Apenas um de seus rins funcionava 100%, o outro tinha apenas 1% de funcionamento. Começamos uma batalha acompanhados por nefrologistas, pediatras e urologistas. Aos três anos, ela precisou passar por cirurgia. A vidinha dela sempre foi entre exames e médicos. Fora isso, era muito saudável, uma criança muito ativa.

Minha filha sempre foi muito cuidada, eu achava até que era uma mãe muito neurótica. Ela tinha que ter alguns cuidados especiais: alimentação diferenciada, horários para fazer xixi, tudo controlado. Eu fazia tudo que podia por ela.

Quando ela completou quatro anos, o pai dela e eu nos separamos e ele foi morar em uma casa próxima. Nossa relação sempre foi muito boa e eles sempre foram muito parceiros, ele sempre foi um ótimo pai, muito presente, mesmo após a separação.

Larissa dormia todas as noites comigo. Ela era muito apegada. Quando a gente estava em casa, ela pegava os brinquedos no quarto e trazia tudo para sala para ficar perto de mim. Desde bebezinha, sempre teve uma bonequinha do lado. As professoras na creche falavam que ela cuidava desses bebês como se fosse mãe. Tudo o que eu fazia para ela, ela fazia para as bonecas.

O sonho da vida dela era ser professora.

— Regina Maia, mãe de Larissa Maia Toldo

O sonho da vida dela era ser professora. Acho que ela tinha mais de 50 bonecas e sabia o nome de cada uma. Tratava como se fossem crianças mesmo. Ela colocava as bonequinhas em roda e dava aula para elas, como as professoras faziam.

Ela era muito meiga, amorosa, demonstrava muito amor e carinho, e tinha muita fé. Era um anjo, as pessoas que a conheceram sabem que ela realmente era especial, uma criança diferente, tinha uma luz. Só lembro dela sorrindo, alegre. Ela amava dançar, era a atração dos lugares.

Mamãe, não fica brava, mas eu queria conhecer o céu.

— Regina Maia, mãe de Larissa Maia Toldo

Fazia um mês e pouco que eu não estava bem. Meus amigos perguntavam o que tinha e eu não sabia explicar. Era uma tristeza. Imagino que já estava sentindo algo e não sabia expressar. Me sentia sozinha, não tinha vontade de fazer nada, como se fosse uma depressão. Não tinha motivo, mas eu estava desanimada, sempre triste e angustiada.

A gente rezava todas as noites. Assim como eu, Lari sempre acreditou muito em Deus. Perdi meu pai há três anos e, às vezes, ela me pegava chorando. Eu falava que era por causa do avô, que tinha saudades. Nos últimos tempos, ela passou a me questionar muito sobre a morte - o que era, o que acontece quando uma pessoa morria. Eu explicava que quem morria virava uma estrelinha e ia para o céu, onde está o vovô.

Ela me perguntava como é o céu, se preocupava se tinha comida lá. Eu tentava escapar, porque é um assunto que realmente a gente não gosta de falar. Ela não queria me deixar triste, mas tinha curiosidade. Um dia, ela me falou: ‘Mamãe, não fica brava, mas eu queria conhecer o céu.’

Hoje, vendo tudo isso, creio que ela estava tentando me preparar de alguma forma para esse momento. Ela era muito evoluída, acredito que era um anjo que veio por algum motivo, com a missão dela. Trouxe amor para nossas famílias, para as pessoas que a conheceram. É impossível falar dela e não lembrar de amor e carinho, ela era muito amorosa, me abraçava todo dia e toda hora. Dizia que me amava e que eu era a mãe mais linda do mundo, a melhor mãe que ela poderia ter. Ela falou nos últimos dias que nunca iria me abandonar. Hoje eu vejo isso como uma despedida.

Na terça-feira, dia 4 de abril, ela foi de manhã para a escola e passou a tarde na casa do pai, que estava de folga. Ele a trouxe para mim por volta das oito e meia da noite. Eu tinha feito uma aula de ioga e estava cansada e dolorida. Quando a gente foi para cama, pedi: ‘Filha, faz uma massagenzinha na mãe?’. Deitei na cama de bruços, ela sentou nas minhas costas, pegou um creme e começou a passar nas minhas costas com as mãozinhas. Depois, ela mesmo pediu para rezar antes de dormir. Falou que me amava e a gente tirou uma foto para mandar para meu grupo de amigas. Foi a nossa última foto.

A última foto de Regina e Larissa — Foto: Arquivo pessoal

No dia seguinte, acordamos cedo, como todos os dias, e ela estava com preguiça de levantar-se. Arrumei minha filha e coloquei a roupinha da escola. Ela estudava de manhã em uma escola municipal e à tarde ia para a particular. Mas, naquele dia a escola municipal tinha conselho de classe e não teve aula. Por isso a levei para a outra escola, para eu ir trabalhar.

Na despedida, demos um abraço, um beijo e desejei boa aula. Falei que a amava e ela falou também. A última lembrança que tenho é da Larissa entrando na escola feliz, ela amava as duas escolas, os coleguinhas e os professores. Tanto que ela sempre queria ser ajudante da professora. Deixei-a na escola às 7h30 e fui para o banco onde trabalho.

Era umas nove e pouco quando meu celular começou a tocar. Era uma amiga. Achei estranho, porque ela não costuma me telefonar, sempre falamos por WhatsApp. Como estava com um cliente, não atendi. Quando a pessoa saiu e abri o celular, já tinha duas mensagens de áudio dela, desesperada, contando que alguém invadiu a escola. Ao mesmo tempo, minha amiga tentava me tranquilizar, pois achava que a Lari estava na outra escola naquele horário. Fiquei travada. Não sabia o que fazer.

Uma professora enviou mensagem no grupo da escola falando que um homem entrou lá e machucou as crianças. Ela contou que havia muitas crianças feridas e pediu que os pais corressem para lá. Fiquei sem chão. Um colega me levou à escola. Foi um desespero. Essa foi a pior parte. Meu coração acelera e me dói muito lembrar desse momento. Foram momentos de angústia total até chegar lá, sem saber o que estava acontecendo. Foi horrível.

Quando chegamos, já estava cheio de pais, bombeiros… Alguém me disse que a Larissa tinha sido ferida e eu só queria saber para qual hospital ela tinha sido levada, mas ninguém me falava nada. Então, vi o olhar das professoras. Alguém me contou que ela não tinha resistido. Eu entrei em estado de choque.

O pai dela, que também já estava lá, entrou em desespero e teve que ser socorrido pelos paramédicos. Eu, paralisada, não acreditava. O corpinho dela ainda estava lá na escola, mas eu não vi. Se eu pudesse apagar um momento da minha memória, seria os que passei na frente da escola esperando por notícias.

Meus tios me ajudaram e me levaram para a casa deles. Lá caiu a minha ficha e eu desabei, chorei muito. Bateu o desespero. No fim da tarde, o pai da Larissa e eu fomos ao IML para reconhecer o corpo. Depois, fui à funerária e ao cemitério fazer todos os trâmites. Até hoje não sei de onde tirei forças para conseguir fazer tudo isso. Você nunca está preparado para enterrar um filho.

Minha família veio do Rio Grande do Sul para ficar comigo, minha mãe ainda está aqui. Só consigo dormir com remédio. Durante o dia tomo um calmante mais natural para não ficar totalmente dopada. Estou tentando me alimentar aos poucos, mas não sinto fome. Acordo chorando todas as manhãs. Até hoje parece que não é verdade, por mais que eu saiba o que aconteceu, imagino que ela está viajando, que está com o pai e que vai chegar em casa a qualquer momento.

Larissa com suas bonecas — Foto: Arquivo pessoal

Quando tudo aconteceu, eu quis morrer, pensei que não tinha mais sentido viver, porque minha vida era toda dela. Mas sei que ela não gostaria de me ver assim. É por ela que tenho que ser forte. É por ela que tenho que buscar justiça, e para garantir que isso não aconteça com mais ninguém.

Minha casa está sempre cheia, meus amigos vêm e trazem comidinha, me fazem carinho. Muitas pessoas que não conheço, pessoas do mundo inteiro, estão enviando mensagens com palavras de conforto. Além da força de Deus, sei que a Larissa está me dando força.

Sobre a pessoa que fez isso, minha primeira vontade era matar ele. Mas hoje já não penso mais assim, não quero guardar comigo esse rancor. Não quero sentir ódio. Só quero que ele fique preso, que pague pelo que fez. Espero que as leis mudem e sejam mais rígidas, porque hoje está tudo banalizado. A pessoa mata e em pouco tempo está solta. Isso precisa mudar.

Já me perguntei tantas vezes: por que com ela? Não era para Larissa estar lá.

— Regina Maia, mãe de Larissa Maia Toldo

Ainda não consigo pensar no meu futuro. A empresa que eu trabalho está me dando todo suporte, mas não estou pronta para voltar. Estou vivendo um dia após o outro. Troquei mensagens com as mãezinhas das outras crianças, a gente está se apoiando, tentando dar força umas às outras. Nossa dor é a mesma.

Quero que lembrem da Larissa como um anjo lindo e feliz. Ela veio só para trazer felicidade e amor na vida da gente. Ela mesma dizia ‘Mamãe, eu quero brilhar’. Quero que as pessoas lembrem dela assim.

Larissa foi uma criança muito amada e veio para me mostrar o que é o verdadeiro amor. Isso me conforta. Já me perguntei tantas vezes: por que com ela? Não era para ela estar lá naquele dia. Deve existir um motivo que eu ainda não entendo. Mas creio que ela cumpriu sua missão. Agora ela está em paz.”

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